sábado, 29 de março de 2008

Dona Chica-ca cagou-se-se (8)

A água morna revigora a carne cansada e a prepara para novas aventuras. Bolhas são formadas com o intuito de purificar cada centímetro do corpo. A mão áspera do árduo trabalho no campo agradece o carinhoso contato. As incontroláveis unhas se opõe ao movimento mútuo de limpeza e acabam por rasgar a pele, ocasionando assim um blood bath que parece não ter fim. Sua companhia enfim chega, clara como margaridas, despertando novos interesses e paixões. Cada um dos pequeninos, então, é envolto em uma espuma branca e escorregadia. Os dedos passeiam, livres como andorinhas, felizes a gorgear e entrelaça-los ainda mais. Vem então a água fria, disposta a fazê-lo crescer e torná-lo mais vivo. A respiração fica difícil. É preciso um esforço sobre-natural para continuar em pé. A boca se abre para pegar a maior quantidade de oxigênio possível, absorvendo também, assim, água para acalmar o estomago inquieto. O ciclo continua, com o ar esvairando-se pelo nariz, e descendo pelo ralo. O corpo fica. E fica. As gotas se vêem forçadas a seguir colina abaixo. Ajudadas pela gravidade, pouco a pouco todas somem sem deixar vestígios que não o frio impotente.
A cama parece distante. E ao mesmo tempo se vê tão próxima. Separados por um lençol velho, meu corpo e ela entram em transe profundo. Tudo fica mais escuro, e as nuvens desaparecem. Entro no mundo dos sonhos. Mas ele acaba rápido. É preciso ir e voltar. A volta é sempre mais rápida, mesmo com o cão no colo. Ah, o cão. Adorado por todos e odiado por dois, esse sim tem vida boa. Mas não grande atuação nesse dia, a não ser a volta no colo com vento nos olhos e o pêlo para trás. Finalmente em casa, ponho-me a escrever mais e mais, afim de, não sei. Penso que passar o tempo ? Ou quem sabe transmitir alguma mensagem a alguém...
A cama volta a ser minha amiga, que me acalma e me deixa girar o quanto for necessário. Que me gruda de manhã e não me deixa levantar. Que recebe toda noite, perfumes diferenciados para que nunca pense que entrou em rotina. Eu amo minha cama. Gostaria de poder fazer mais por ela. Mais do que contar histórias e partilhar sonhos. Mas é o que se vê possível.

Um comentário:

Thiago Tkac disse...

Me senti mau. Acordei e não tomei banho. Acho que preciso criar o habito de faze-lo logo cedo... Me pareceu importante agora haha

Agora da uma pausa por favor... To cansado de ler, então vou ouvir uns Funk bem nojento aqui no PC pra criar um clima de Fim-de-semana! ahah